domingo, 27 de março de 2011

Capistrano de Abreu(1853-1927): historiador autodidata



Para a Geografia, Capistrano foi o primeiro historiador brasileiro a se utilizar da geografia para tentar explicar o processo histórico do país. Para ele, o clima, o solo e a alimentação contribuem de maneira inigualável para a formação do homem e da sociedade. Ele nos conta que os primeiros séculos, existiram algumas cartas geográficas e roteiros que descrevem a costa brasileira. Que entre 1750 e 1777, chegaram aqui geógrafos, astronomos e naturalistas, embora seus escritos tenham sido restritamente divulgados. Já no século XIX, outros viajantes tentavam conhecer o Brasil e a partir da segunda década desse século, o governo já mandava fazer explorações, até que em 1860, uma comissão científica norte-americana visitou o Brasil. Por fim, Capistrano em 1884, sugere um trabalho de geografia brasileira (exploração de rios, do litoral, pontos do interior, a geografia botânica e zoológica, a geologia, a distribuição dos índios são mais bem conhecidas).
Seguidor fiel do Positivismo, foi influenciado por alguns cientistas estrangeiros como Spencer, Darwin, Comte, Taine e Buckle. Atuou como professor de francês e português no Colégio Aquino e trabalhou uma boa parte da sua vida na Biblioteca Nacional, mas começou a ficar famoso por protagonizar uma polêmica com o sergipano Silvio Romero.
E publicou artigos criticando um texto de Romero, intitulado “O caráter nacional e as origens do povo brasileiro”, de acordo com o qual o brasileiro seria distinto do português, não por causa da natureza ou da mistura com os indígenas, mas pela presença dos negros. E afirmou a importância do meio na formação da nacionalidade brasileira e ressaltando o papel do índio. Seu maior interesse foi acessar a história dos índios por meio do estudo linguístico. É a partir desse prisma que produz trabalhos nas áreas da linguistica e da etnografia. Por que para Capistrano explicar a formação da nacionalidade brasileira através de um espaço específico que é o sertão e estudar a fundo as tradições indígenas (línguas e costumes ) era fundamental para a compreensão das migrações populacionais e, por conseguinte, do povoamento do território, para pensar sobre o brasileiro e a formação da nacionalidade.
Conheceu o geográfo Teodoro Sampaio (1855-1937), autor de “O Tupi na geografia Nacional” (1901) e do “Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico” (1922). É o mesmo geográfo que ajudou Euclides da Cunha com “Os Sertões”. E por curiosidade, elogiou o trabalho “Viagem pelo Brasil” escrito pelos alemães Spix e Martius, considerou como esplêndido. E mesmo não contribuindo muito no campo da geografia, ele é considerado como um grande erudito na área da história.

Referências Bibliográficas:
GONTIJO, Rebeca. “Capistrano de Abreu, Viajante”. Revista Brasileira de História; v.30; nº59; p.15-36 – 2010.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Trajetórias iniciais

Trajetórias Intelectuais inspira narrativas e experiências com a linha da “História do Pensamento Geográfico”. Nesta ferramenta de comunicação ilustraremos idéias, pensamentos, obras de intelectuais (não necessariamente escritas por geógrafos) que fizeram parte da elaboração de conteúdos enriquecidos de conhecimento geográfico. Dentro das instituições de pesquisas encontram-se um acervo incrível de materiais, de cunhos documentais, trazendo a tona visões de mundo e como se atrelam a contextos históricos, dando base reflexiva para compreender o que é a Geografia hoje. Como geógrafa, tenho interesse de desvendar o “mosaico” que parece ser o Pensamento Geográfico Brasileiro. Desta forma não arriscaria ter a pretensão de dizer que solucionarei todos estes desafios que envolvem a história do pensamento geográfico brasileiro, mas por saber que poucos geógrafos desenvolvem pesquisas nesta linha é que despretensiosamente submirjo em busca de respostas que desvendem e caracterizem o que conhecemos hoje como Geografia Brasileira. Os motivos são inúmeros pelos quais me empenho nesta caminho e as dúvidas também. Por isso muitos se questionam:
 “Será que irei saber interpretar um texto de HPG? É um tema difícil? E será que existe alguém que gosta de saber o que os intelectuais debatiam durante o século passado? Por que é preciso saber do Brasil no passado?”
 Sendo um tema raro ou despercebido pela maioria dos geógrafos isso só contribui com a falta de uma reflexão de temas e questões geográficas que constitui na historiografia nacional. E o meu objetivo é compartilhar interesses ou críticas dessas obras clássicas que deveriam ser lidas por todos. Não abdico das dúvidas para o meu sucesso com esse blog, não sei se será visitado. Só sei que ponho em prática uma habilidade que tenho muito pouco: o ato de escrever. Estou começando a engatinhar agora e a caminhada tende a ser  longa e árdua.